Estamos de mudança

outubro 1, 2008

Caríssimos.

Embora estejamos fazendo ajustes finais, fico contente em dizer que agora este blog está em:

http://www.gabrielferreira.com.br

Já migrei os argquivos e só estão faltando algumas modificações no layout. Atualizem os bookmarks!

Abraços.

Gabriel.

Sobre homilias heréticas

setembro 1, 2008
Certo estava Pascal ao dizer que a Igreja tem três espécies de inimigos: os que nunca pertenceram a ela, os que abandonaram seu seio e, o pior deles, o mau católico que a corrói por dentro. E qual não é nossa surpresa ao nos depararmos com presbíteros que hipostasiam o dito pascaliano…

Ontem, por ocasião do Dia do Catequista, ouvi um certo vigário proferir algumas das coisas mais escabrosas que já ouvi numa homilia (e olha que não sou um novato na arte de ouvir bobagens na Igreja…). Quero me ater a apenas uma delas:

Graças a Deus, a catequese pós-conciliar (pós-Vaticano II) sorveu da abertura de mentalidade da Igreja e abandonou modelos antiquados, substituindo os “livros de catequese” pela Bíblia.

Há décadas, infelizmente, o concílio Vaticano II tem servido, na boca dos incautos, de disfarce e prerrogativa para um sem-número de teses absurdamente incompatíveis com a doutrina católica (perdoem-me pelo eufemismo para ‘heresia’: apenas para poupar um pouco os mais sensíveis). Esta, brilhantemente sintetizada pelo padre, já nos é velha conhecida. No mínimo, remete ao sola scriptura luterano. Mas o pior, creio, não mora simplesmente na assimilação esdrúxula de uma tese gritantemente protestante mas na ignorância profunda (ok, fim dos eufemismos) do que diz a própria Igreja.

É o mesmo concílio Vaticano II que diz no seu documento sobre a Revelação Divina (Dei Verbum) e que, portanto, versa também sobre o uso das Escrituras, que

9. A sagrada Tradição, portanto, e a Sagrada Escritura estão ìntimamente unidas e compenetradas entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim. A Sagrada Escritura é a palavra de Deus enquanto foi escrita por inspiração do Espírito Santo; a sagrada Tradição, por sua vez, transmite integralmente aos sucessores dos Apóstolos a palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos Apóstolos, para que eles, com a luz do Espírito de verdade, a conservem, a exponham e a difundam fielmente na sua pregação; donde resulta assim que a Igreja não tira só da Sagrada Escritura a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas. Por isso, ambas devem ser recebidas e veneradas com igual espírito de piedade e reverência.

Dessa forma, ao invocar o concílio o presbítero incorre num duplo erro: o de assumir uma posição explicitamente em desacordo com o que professa a Igreja (e no Credo rezado minutos depois!) e de desconhecer o próprio “argumento” que utiliza. Este pobre simplesmente jamais deve ter lido o que, de fato, diz esta entidade metafísica quase com vida própria para alguns, o Vaticano II.

Além do mais, desconhece as orientações da Igreja no que diz respeito ao “material” da catequese. O Catecismo da Igreja Católica é tão claro:

A catequese encontrará nesta genuína e sistemática apresentação da fé e da doutrina católica uma via plenamente segura, para apresentar com renovado impulso ao homem de hoje a mensagem cristã em todas e em cada uma das suas partes. Deste texto cada agente de catequese poderá receber uma válida ajuda para mediar, a nível local, o único e perene depósito da fé, procurando conjugar contemporaneamente, com a ajuda do Espírito Santo, a maravilhosa unidade do mistério cristão com a multiplicidade das exigências e das situações dos destinatários do seu anúncio. A inteira actividade catequética poderá conhecer um novo e difundido impulso junto do Povo de Deus, se souber usar e valorizar de maneira adequada este Catecismo pós-conciliar.

e mais:

Este Catecismo lhes é dado a fim de que sirva como texto de referência, seguro e autêntico, para o ensino da doutrina católica, e de modo muito particular para a elaboração dos catecismos locais. É também oferecido a todos os fiéis que desejam aprofundar o conhecimento das riquezas inexauríveis da salvação (cf. Jo 8,32). Pretende dar um apoio aos esforços ecumênicos animados pelo santo desejo da unidade de todos os cristãos, mostrando com exatidão o conteúdo e a harmoniosa coerência da fé católica. O “Catecismo da Igreja Católica”, por fim, é oferecido a todo o homem que nos pergunte a razão da nossa esperança (cf. l Pd 3,15) e queira conhecer aquilo em que a Igreja Católica crê.

Simplesmente lastimável…

Links
Documentos do Concílio Vaticano II (em pt)
Catecismo da Igreja Católica (em pt)

Leia também
Teologia e fundamento
Pecados Capitais da imprensa
Sobre Dawkins e delírios


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Sexta de Livros

agosto 29, 2008

Dando continuidade…

Para ver os demais, clique na tag “Livros”!

Leia também
Dois fragmentos para um sábado
Como me tornei estupido

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Tommy Emmanuel e Don Ross

agosto 27, 2008

Algumas coisas encontradas garimpando no YouTube:

Tommy Emmanuel – Guitar Boogie

Don Ross – Blue Bear – Live DVD

Veja também
Um som bordão, bordando o som
Voltando…
Em cada luz de mercúrio vejo a luz do teu olhar


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Diploma de dizimista assinado por Jesus

agosto 22, 2008

Por aqui, cheguei na seguinte notícia:

Igreja Universal terá que devolver mais de R$ 50 mil de dízimo à fiel

Bom, até aí, nada de extremamente original não fosse o fato de o coitado do zelador dizimista sofrer de debilidade mental e a Igreja ter enviado o seguinte certificado para o fiel:

Como vocês podem perceber, quem assina é o “Sr. Jesus Cristo” (que, no entender destes doutores teologais, “Cristo” é o sobrenome de Jesus…). Só consigo lembrar do Doutor Angélico:

“Beati in regno coelesti videbunt poenas damnatorum, ut beatitudo illis magis complaceat”
[Os abençoados no reino dos céus verão as penas dos danados, para que sua beatitude lhes dê maior satisfação]

Leia também
“Teologia” moderna
Sobre Dawkins e delírios…
Células-tronco e as perguntas certas

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Sexta de Livros

agosto 22, 2008


Belíssima foto roubada daqui.

Veja também
Como me tornei estúpido
Ahn, os jornalistas…
Teologia e fundamento

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Sexta de Livros

agosto 15, 2008

Seguindo um hábito muito legal de dois dos blogs que mais gosto (este e este), vou inaugurar por aqui a Sexta de Livros. Nada mais, nada menos que postagem de livros às sextas (com o perdão do trocadilho infame). Eu sei, eu poderia comentar alguns deles ou algo mais relevante. Quem sabe. Mas o que me interessa agora são as fotos. Se você, assim como eu, tem um verdadeiro fetiche por livros, vai gostar e entender o que estou falando.

Pra começar dando “exemplo”, uma foto panorâmica do meu aparador/estante/mesa para leituras rápidas (que, obviamente, não dá conta nem de 1/32 avos dos meus amados livrinhos).

O que achou da idéia? Quer mostrar os seus? Comente!


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Isso me dá sono – parte 2

agosto 15, 2008

Acho até que vou criar uma categoria no blog só pra isso…

Lendo este post da Rosana sobre um infeliz que é “colunista social” (que, perdoem-me pela franqueza, já não é das coisas mais sérias do mundo) e que copia posts inteiros de outros blogs, acabei parando no blog do tal… (que obviamente não vou linkar).

E não é que ele tem uma tag “Filosofia”? Claro, afinal qualquer conversa de bar é filosofia, não? E o dito cujo recheia esses posts com belíssimas (¬¬) citações genéricas de pára-choque de caminhão?

Coisa fina.

Leia também
Isso, por vezes, me dá sono
Migalhas de reflexão ou O que nós da filosofia devemos fazer


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Isso, por vezes, me dá sono

agosto 14, 2008

Vez ou outra participo, em alguns fóruns, de discussões sobre Teologia. Mas já foi-se o tempo em que eu o fazia porque pensava que era algo relevante. Hoje, faço para me manter acordado. É que a experiência de ler o que por aí se escreve é realmente sonífero. Tantas são as tolices sempre misturadas com boa dose de lugares comuns que lá pelo 1oº ou 15º post eu já quase não me agüento de olhos abertos.

Tudo isso me remete à estultícia reinante em todo e qualquer debate ou diálogo de idéias. E abole-se o sério. E as opiniões (que nem verdadeiras são, ou seja, nem Platão consegue salvá-las) tomam cada vez mais o espaço da epistéme. E isso cansa.

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Sobre ultrapassar-se

agosto 1, 2008

Em 2005 publiquei este post, por ocasião do falecimento de um amigo. Hoje, por conta de outro falecimento, posto novamente.

***

I

Sob certo aspecto, Stalin – que foi um sujeito execrável – estava correto ao dizer que a morte de uma multidão não era propriamente ‘morte’; morte é apenas o falecimento de um ente querido,de um amigo. Facilmente entende-se o que aqui quero dizer: só experienciamos a brutalidade da morte quando aquele que morre é alguém social, histórica e pessoalmente delimitada. Somente quando esses três vetores convergem para um determinado ponto – o ‘quem’ morre – é que tal fato mostra-se com toda a opacidade diante de quaisquer idéias mediadoras. Não se trata aqui de um discurso apologético ou um discurso de tese; é antes de tudo uma torrente de pensamentos que acompanham outras tantas torrentes – sejam elas de lágrimas, palavras ou ainda aqueles sentimentos desconexos que experimentamos nestes momentos – nascidas do falecimento de um amigo.

Não demanda grande quantidade de pensamento a percepção que não fazemos experiência da morte propriamente dita. A nossa ‘experiência’ da morte é sempre da morte dos outros. Concorda-se, então, facilmente com Epicuro quando esse diz que a morte não é nada para nós pois não a vivenciamos. Mas
sou obrigado a discordar duramente dele quando diz que por esse motivo não devemos temê-la ou preocupar-nos com ela. Mesmo desconhecendo sua essência, o que ela é na verdade, os fenômenos que apresenta são sujos e terríveis. A imagem da qual Fernando Pessoa se utiliza – de que morrer é como dobrar uma esquina; é só não ser mais visto – aqui também não serve para nada e talvez até aumente o nosso pavor. Não ser mais visto é des-aparecer, e por conseqüência ser esquecido (léthe, em grego). Para insinuar o que pretendo indicar é suficiente lembrar o vocábulo ‘Verdade’ em grego – alethéia – que nos remete a não-esquecimento. Desaparecer, portanto, é a irrupção da mentira e a nossa razão treme diante de tais palavras. Isso talvez aponte para o fato de que nem a poesia seja competente para lidar com tal assunto.

A morte é assim, algo difícil de se apanhar pelo discurso. Os três principais modos de discurso sobre a morte elencados por Platão, no Fédon – o da física (entendida como representante das hoje chamadas
‘ciências naturais’), o da tragédia (literatura catártica) e o do mito (religioso) -, não esgotam de maneira alguma o que é a morte; todos os três são, de certa maneira, verdadeiros e falsos, dão e não dão conta do objeto, que por sua própria natureza está sempre, como possibilidade, conosco, mas nunca diante de nós, como uma árvore ou um copo estão diante de nós. Percebe-se, aqui, bem a dimensão do problema e sua profundidade angustiante, a ponto de forçar Sócrates a deter seu discurso e propor a seus interlocutores que apenas creiam em suas palavras… Como nos diz um filósofo de nossos dias: ‘A razão é impotente ante os gritos do coração’.

II

Mas não me sinto satisfeito em abandonar tal discurso no meio do caminho. Assim, quero fazer um salto. Quero novamente deixar claro que não se trata aqui de apologética, catequese ou afins. Mas sim, trata-se de conforto, esperança e fé. Apenas registro meu lamento sobre a incapacidade da modernidade (ou ‘pós-modernidade’, como alguns dizem) de ver nas verdades de fé, conteúdo noético inteligível, coerente e que incremente nossa experiência. Dito isso, prossigamos.

Muito já se falou sobre a angústia da morte dentro do horizonte do cristianismo e meu redobro não seria nada valioso senão para sanar um desejo de reforçar em mim e em alguns dos meus leitores, certas verdades e significações. Quero evocar aqui a célebre passagem exposta no Evangelho segundo João (capítulo 11), sobre a morte de Lázaro. Nela, asirmãs de Lázaro mandam avisar Jesus que aquele – ‘amado’ por este (Jo.11,3) estava doente. A atitude tomada por Jesus é, a princípio, no mínimo curiosa: espera ainda dois dias antes de ir para a Judéia. Ao chegar, Jesus sabe que seu amigo está morto (Jo. 11,15). Atenhamo-nos,por um instante, às figuras de Marta e Maria, irmãs de Lázaro. Elas criam obstinadamente Naquele a quem mandaram chamar. Ele poderia ter curado seu irmão com apenas uma palavra, como fizera com o servo do centurião (Lc. 7, 6ss), mas não o fez. Elas viram inclusive o próprio Jesus derramar lágrimas (v. 35). É exigido delas então, o mesmo salto que tentamos promover; aquele que ultrapassa superabundantemente o domínio do fenômeno e acessa uma Verdade para além de nossas definições; o salto da fé. Elas próprias viram o Senhor se angustia reangustiaram-se com ele. Mas aqui há uma novidade em relação a tudo o que foi dito e as palavras de Cristo bem nos dizem: “Esta doença não é para a morte, mas é para a glória de Deus (v. 4) … E, por causa de vós, eu me alegro por não ter estado lá [antes da morte de Lázaro] pois assim podereis crer” (v.15).

A tal novidade é justamente o ultrapassar-se totalmente o campo do possível e do previsível. É esperar firmemente no ‘adiante’. É angustiar-se com o espírito já antegozando sua vitória. É o máximo que consegue-se dizer pois é o máximo da Verdade. E, mesmo se nosso ser se estremece nestes momentos onde a visão se turva, tenhamos a convicção de que mesmo “se o nosso coração nos acusa, Deus é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas” (1Jo. 3,20).


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